terça-feira, 22 de maio de 2012
Panorâmas de um cotidiano em sobreposição vagando em pensamentos de sentença. Não vou me cobrar. Como e também afronto meus medos mundificando a solidão. Estar só, um estado? Poesia e sentidos fazem o meu âmago florescer (auto-suficiência da consciência íntima e vontades). É sutil, e dualmente intenso. Me relevo à minha cara; mais, menos, não sei. Só pratico essa necessidade diária de me querer. Buscando a busca, ou simplesmente sucedendo momentos de um mundo recluso em sensações.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Aromático.
Adormecendo lentamente, três ou quatro dias, murcha ao expirar o seu perfume com cuidado. Flores frescas eram espalhadas. Repeti de dez a vinte vezes até que estivesse saturada. O resultado era ainda quantitativamente a qualidade a frio de uma fidelidade original, ou seja, parecia que ficava espelhada com absoluta fidelidade à sua natureza. Obviamente ainda reconhecia, é claro, a diferença entre o cheiro da flor e o seu aroma conservado; como um véu suave (aí estava o peculiar cheiro). Podia ser tão pura quanto quisesse sobre a imagem aromática original, diminuindo-a, enfraquecendo-a suavemente, até tornando talvez a sua beleza insuportável para as pessoas comuns... Mas, em todo caso, melhor não havia. E ainda que o método não fosse suficiente para convencer de modo pleno, sabia muito bem que bastava para todo um mundo. Em pouco tempo, dando-o a entender do seu modo discreto, velado, submisso, com prazer deixava-o ir, e depois, determinar a mistura que cheirasse mais preciosa, deixava por sua.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
A porta.
Vertiginoso é todo o seu drama. Cansei das tonturas, pensamentos de grandes muralhas, atitudes que são um súplicio. As noites, as ruas, sinto que as pessoas nao me enxergam mais. Tô morta, e meu cadáver, exausto, caminha por aí com o olhar perdido nos passos dos meus sapatos e nas linhas amarelas do asfalto preto. Por que voce não muda isso, me perguntam numa cobrança de fácil acesso, Irei mudar, respondo com a lembrança da tua mão segurando o meu braço. Mas você, grande filho da puta, são dois; frio e quente. E minha ingênuidade é o que ainda me faz sentir pelos bons momentos. De qualquer forma agora tenho a certeza de que os dias de solidão a dois não derrubou minhas vontades. Tendo-me despedida, outros terão e entenderão. Serei poeta. Esgoto agora em mim todas as formas de sentimento; amor, veneno e loucura. Fique com o amargo da não mais sua.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Esse escrito aconteceu.
Há tempos que não passo. Sei muito bem disso. E quando dano a pensar em letras a saliva entre meus dentes se faz de cheiro e um pouco de gosto; não quero mais você por aqui(parece que engoli perfume). Não te quero mais em mim, não somos mais um. Bem mais que a dor dos dias, viver a dor é que me doeu. Confesso que vi esse filme mais de uma vez só pra ter certeza dos seus olhos, pois na mesma proporção que quis saber do seu personagem, na verdade, essa minha alma inquieta, de livre vontade, procurava mesmo saber de ti. E quando, em qualquer outra conversa, porventura falarmos das coisas que você viveu, meu querer é um peito aberto, vagando em carinhos e desejos de boa vontade. Minha mente desenvolve vários pensamentos agora... em flashs, e os meus olhos, esses sim, revelam-se perturbados e gratos por ser essa pessoa que apenas te conhece num filme visto tantas vezes. A você, que hoje não me pertence e por diversos outros momentos não me pertenceu, amor.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Castigo da insônia.
Hesito mas a noite cala o meu grito(de céu preto). Manifesto meu socorro meio ao travesseiro. O banal me serve café agora (pausa), e eu nao sei o que é mais inconveninete. - Você pode esperar por mim dez anos? Nasco e morro mil vezes; poética, politica, física. Opiniões em mutação nas diferentes horas do dia. Deus? Todos vez enquando, nada sempre.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Avessas.
Assim, com esse aroma de beleza que a primavera trás, eu sou a pessoa que a solidão abraça. Afaga, lambe. Sinto a necessidade de projetá-la em meu corpo. E a minha boca, que agora sorri satisfeita, convence de que sou livre para qualquer futuro, mas sozinha. Gosto de ver a solidão branca e calma, daquelas que brota dos corações dos poetas, nos cigarros dos moribundos. Redemoinho de flores. Digo que quero e sei ser sonho. O resto é bobagem.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Notícias que te mando.
Nesse dia de quarto, ouço tudo acontecer fora daqui. Não me interessa, pois minha liberdade me encanta e há amor em minhas urgências. Amor só por ser amor; sem quanto ou tanto, mas só pelo prazer de estar. Faço valer um anarquismo poético que mora nas minhas palavras tortas, e escrevo doando o meu estado de enfeite, sedução, cegueira. Constante, enorme, desmedido. Intensidade (e serão lançados confetes de carnaval). Entendimento mudo. Faz chuva e eu tenho todo o sentimento aqui. Vivo a eternidade de minutos, delicadeza de pensamentos. Chão do meu apartamento.
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